Com a intenção principal de retomar a memória de subjetividades essenciais à internet brasileira, apresentamos a organização de um arquivo buscando narrar uma trajetória coletiva referente a produção de festivais, encontros públicos, workshops, laboratórios experimentais que configuraram ações construídas em conjunto e marcaram tendências na cultura digital brasileira – não sem metodologias, mas com processos emergentes de encontros e escritas, não sem ideologias, mas com horizontes radicais e multidisciplinares.

O arquivo é dedicado a compilação e restauração de material digital configurado por websites, publicações, listas de discussão e wikis desenvolvidos por uma rede mobilizada por artistas, pesquisadores e ativistas que abrange o período de 2002 a 2003 a partir da ação global dos povos até o período mais recente no Brasil. Nesses entremeios de duas décadas de internet brasileira algumas redes conectadas provocaram situações no campo social e político que mediaram comportamentos nas plataformas digitais, políticas de internet e de acesso, além de políticas de fomento à cultura, agregando as experiências de mobilização e inovação de tecnologias atentos ao comportamento cultural brasileiro.

O potencial crítico do uso das tecnologias e das táticas midiáticas hoje, assim como o próprio conceito de política que vivemos no Brasil, requer revisitar os métodos de avanço do “campo autonomista”, de livre e intensa contaminação teórica e prática radical na construção de ferramentas e conceitos mais apropriados à nossa realidade.